A questão urbana



A respeito do crescimento da cidade de Ribeirão Preto 
que foi observado, não se nota um planejamento urbano no âmbito regional, de maneira a relacionar os elementos construídos entre si. Pelo contrário, as novas instalações são segregadoras. Os condomínios horizontais se instalaram na Zona Sul ocupando uma área maior do que a área urbana de Bonfim Paulista, e instauram uma urbanidade fragmentada por quilômetros de muros que bloqueiam o tráfego, os acessos e a expansão. Contrapondo-se a esta realidade, do outro lado, tem-se um distrito com áreas públicas intensamente utilizadas por seus moradores mais antigos.


A partir do contato mais próximo com esses moradores e da análise de seus hábitos, foi possível notar que a nova população que está migrando para essa região pouco se identifica com a cultura de encontros que é tão forte por ali. Os novos moradores estão, em sua maioria, se dirigindo para os condomínios horizontais fechados que rodeiam toda a área de Bonfim.
Portanto, o crescimento urbano vigente se apóia, basicamente, na implantação seriada de condomínios fechados, de médio e alto padrão – processo que tem como fundamento a valorização das áreas privadas em detrimento das áreas públicas. Pode-se perceber que estes novos moradores, em geral, ainda preferem realizar as suas atividades em Ribeirão Preto, apesar da distância, e pouco se apropriam dos costumes locais. “O comércio de Bonfim melhorou, mas ainda é muito limitado. A comerciante e diretora da ACI (Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto) Míriam Magazoni Alexandre disse em um artigo publicado no jornal A Cidade: “Temos o básico, mas ainda não conseguimos oferecer uma estrutura para convencer os moradores dos condomínios próximos que é mais fácil vir aqui. A proximidade do shopping, em Ribeirão, dificulta muito”.
Diante deste cenário vemos que identidade de Bonfim Paulista, seus usos e costumes estão ameaçados pela conurbação (ou incorporação de cidades).
A partir das questões levantadas e de estudos em grupo (desenvolvidos durante a disciplina de pré-TGI) sobre urbanismo contemporâneo e identidade, concluiu-se que diante da dinâmica urbana, as intervenções projetuais devem ser capazes de conferir identidade ao local, de modo a atender variados usos, possibilitar a apropriação dos usuários, promover diversidade e sociabilidade. Intervenções urbanas ou arquitetônicas têm como obrigação relacionar-se ao patrimônio cultural e às estruturas pré-existentes do lugar; assim como prever seus impactos. Também se deve considerar que os espaços são dinâmicos e, portanto, a identidade do lugar também. Desta maneira, um projeto urbanístico deve se adequar à realidade urgente e aliar identidade local, espontaneidade de usos e relações sociais.